23 Fevereiro 2006

A Dança

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Meu corpo seja brasa
e o teu a casa
que se consome no fogo
um incêndio basta
para consumar esse jogo
uma fogueira chega
para eu brincar de novo
Minha boca
É pouca
Minha língua
Pequena
Para o desejo que anda à solta
Intenso
Enorme
Húmido
E entre as tuas pernas
Me afogo
Delicio
E danço ao som
Dos teus gemidos

01 Fevereiro 2006

Dúvidas

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Transporto comigo a tua marca,
Que jamais posso apagar.
Feito tatuagem...
Como uma marca de nascença,
Com jeito de eterna.
Para sempre,
Apoderas-te da minha alma,
Desordenas meus pensamentos...
Em alguns momentos somos dois,
Em outros somos um só!
Afloras-me dos lábios,
Transbordas na minha alma,
E te fazes sentimentos...
E assim, colada a mim,
Tu roubas o meu perfume,
Emprestas o meu brilho,
Bebes da minha água,
E aprisionas o que há de melhor em mim.
Estás livremente presa a mim,
Como se minha pele fosses...
Confundimo-nos um no outro
E já não posso saber,
Onde começo eu...
Onde terminas tu...

24 Janeiro 2006

Sinto em meu corpo

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Sinto em meu corpo tua língua.
Que me arde como se fosse
um chicote de fogo.
E mesmo que eu não queira
me induz a jogar o teu jogo.
Entorpece os sentidos,
abafa-me os gemidos
até provocar o meu gozo.
Que poder é esse?
Que sedução devassa,
é essa que sinto
sempre que me abraças?
Só de te ver me arrepia a pele,
em choques térmicos.
E me rendo pacífico
aos teus desejos hipotéticos.
Me excita e me choca
a tua ousadia.
Mas sempre mais e mais,
como num crescendo,
embarco na tua fantasia.
E quando me entrego
aos nossos devaneios
sentindo em meu corpo
os teus meneios,
nada mais importa.
Abrimos do desejo as portas,
simplesmente
porque tu és minha mulher
e eu... teu escravo.

13 Janeiro 2006

Tanto mar…

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Amantes feito o mar e a areia
Todo dia aquele vai e vem
A maré enche
e tu me invades
por todos os lados,

Cheio de amor,
Desejo e calor!
Sinto o gosto do sal no teu corpo mar,
Quando me tens num abraço eterno,
Tuas águas refrescam meu corpo
areia ardente de paixão,

E, sem resistência alguma me deixo invadir
por tua presença única

De repente, sem aviso, bilhete ou sinal,
Vai embora, feito a vazante da maré,
E eu permaneço,
areia húmida a esperar por ti.
Em meio ao temporal retornas,
Mar bravio, arisco, selvagem...
Faminto de sua areia amada.
Tuas ondas quebram em vagalhões
E avançam com urgência meu corpo areia...
Sinto tua língua quente e indecente
por toda minha extensão

E novamente o amor explode
inundando tudo em volta,

O amor tempestade cede lugar à calmaria...
E recomeçam as carícias do mar na areia.
Ele espalhando-se sobre ela,
Como se quisesse engoli-la inteira.
Areia tão quente e carinhosa,
Guarda para o mar o calor do sol...
E o recebe num amor plácido...
Num abraço doce,
Oferecendo-lhe sua paz,
E sua fonte inesgotável de calor...
Num mar de amor!!!

11 Janeiro 2006

A oferenda

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Aquele tempo em que te procurava...
Por isso
Tanto andei,

Tanto vagueei,
Tanto esforço para encaixar o grande
no pequeno,
E o quadrado no redondo.
Esculpindo artes bonitas,
Cópias de um sonho
Que não chegaram jamais à veracidade...
Já me contentava com o congénere,
Quando finalmente nos encontramos.
Meu olhar brilhou e passou
A iluminar nosso caminho.
Meu coração bateu forte,
Seguiu, ritmado, nossos passos.
Nenhuma ameaça existia,
Mas nós nos incumbimos de produzi-la.
As conquistas passaram a ter
Conotação rotineira.
O belo tornou-se vulgar,
As diferenças, interessantes na discrepância,
Foram crescendo e incomodando.
Não te quero mais...
Não com a distância
Nos confundindo
Vou buscar outra promessa,
Que eu possa amar
E que este amor
Produza ameaças
Fabrique certezas
Na oferenda de um corpo se abrindo

04 Janeiro 2006

Desejo

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Tocando-me com amor senti intensidade
facilitando os meus desejos secretos
e medos de inadequação...
Mexes comigo de tal maneira que beijas a minha alma.
Correndo as minhas mãos sobre a tua pele que explode.
Sentindo as tuas curvas,
a tua beleza de mulher,
Abraço e me aposso da tua deusa interna sublime.
Beijando.
Suavemente,
os lábios húmidos se roçam...
Fazendo amor com as nossas línguas.
Sentindo tu responderes ao meu toque...
Queimei-me de desejo, beijando-te...
Esperando a satisfação, tu excitas-me.
Beijando o teu pescoço...
Chupando os teus seios...
Me puxei contra ti...
Desejo devorar-te.
Passando a barreira para o outro lado...
Onde sentindo prazer
É de livre direito e espontânea vontade...
Em união e harmonia,
e movimento.
Deitada sobre mim....
Os teus seios me pressionam.
Agarras a minha mão e beijas
Olhando para ti...
Olhos nos olhos, dentro de ti
Imagino se entendes...

20 Dezembro 2005

FELIZ ANO NOVO

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Que todos os desejos, mesmo os mais simples e insignificantes, mas sempre tão importantes, se realizem em pleno, em 2006.

19 Dezembro 2005

Vem de mansinho

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Vem de mansinho
Não tenhas pressa que o meu coração

Aguarda o instante
Em que despertes o meu sorriso

E aguce meus sentidos.
Agarre a vida como exemplo
Daquele amor por descobrir
Que é paixão e desejo em mistério,

Mesmo que não sejamos donos do tempo.
Deixa que abandone meu corpo em tuas mãos

Entre gemidos sufocados e arrepios
Dos teus lábios na minha pele ansiosa
Rogando por mais
Na espera do mais além

Deixa que eu abrace forte
E em teus braços alivie o fado
Nas margens do rio que nos revelam dor

E marque a equidistância até ao céu.
Esqueças o que procuras
Ao deitar teu corpo no meu

E nele encontre apenas amor demais.
Não interrogues o que nos acontece,
Não supliques pela realidade
Nas paredes de nossa fusão.

Vem sem culpa, sem medo do amanhã
Eu não vivo sem teu tremor,
Sem teu frémito e tua agonia
Sem teu desejo que prolifera no meu.

Sublime desfecho do sereno
Em meus olhos quando partes,
Com todas aquelas luzes
Que nos seguem sedentas

Ao retornar de mansinho para o nosso canto
Naquela cama redonda ou quadrada

Com uma vontade cada vez maior
De amar mais e sempre mais,
Sem culpas

Nem desculpas...
Vem de mansinho
Onde só cabemos os dois
Naquele tal cantinho

18 Dezembro 2005

Sem limites

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Quando achei que podia ter teus beijos,
Pelos prados a descoberto escapei
Para que a dor não extrapassasse
O limite que nos obriga a redimir formatos
Estereótipos desenhados
Num permanente sentir da paixão
Que brotou da inércia em que permanecia
As razões, essas, deixei que se escapassem
Corri noites com pés descalços
Em areias molhadas de praias desertas
Ansioso, desordenado, sequioso, faminto
Daquela maneira como me tocavas
Tão forte, tão intensa, tão intima
Mesmo quando era apenas a tua voz

Tu sabes, porque baixinho o confessava
Nunca te possuía sem antes te amar
Nos prados verdes, nas moitas escondidos
Nas folhas brancas espalhadas
E nos lençóis revirados
Como plumas ao vento
Num sussurro acordava-te
Ronronavas, estendias os braços e me recebias
Fechavas os braços e te abrias
Depois era o ressurgir de contos
Poemas de encantar
Melodias de enternecer
Depois era a entrega
Total, sem limites
Carícias envoltas em permanência
Preenchidas na comunhão de prazeres.
E, naqueles beijos
Abraços e carícias
Procuramos nos nossos corpos
Recantos escondidos, tão nossos conhecidos
E a cada instante, lento e demorado
Construímos, letra por letra, a futura poesia
Fizemos coro nos gemidos
Comungamos os prazeres
Misturamos o suor
E sentimos o gosto do envolvimento

Só tens que abrir a porta
Quando a campainha tocar

17 Dezembro 2005

Pessoa certa

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Se pensarmos bem
Em tudo o que a gente vê,
E ouve e pensa
Não existe uma pessoa certa
Existe uma pessoa
Simplesmente
Se parares para pensar
É sempre, a pessoa errada.
Porque a pessoa certa
Faz tudo tão certinho
Chega na hora certa,
Fala as coisas certas,
Faz as coisas certas,
Só que nem sempre
Precisamos coisas certas.
Chega a hora de procurar a pessoa errada.
Aquela que nos faz perder a cabeça
Fazer loucuras
Perder a hora
Morrer de amor
Fazer amor
Sentir prazer
Deixar que os corpos se fundem
Que os pelos se misturem
Se confundam
Os gemidos cresçam
O orgasmo nasça
A pessoa errada vai ficar um dia sem te procurar